Farmacodinâmica

A via de administração específica inalatória entrega iloprosta diretamente ao órgão doente,permitindo doses locais mais altas com menos toxicidade sistêmica.1 Ao dilatar seletivamenteas artérias pulmonares, mas não as artérias sistêmicas, a iloprosta pode minimizar efeitos colaterais como a hipotensão, o que pode ser uma limitação para vasodilatadores injetados ou administrados via oral.1,2,3

A iloprosta via inalatória também demonstra seletividade intrapulmonar e, portanto, é menos provável que tenha efeitos adversos nas trocas gasosas em comparação com outras vias sistêmicas de administração.3,4 Como é administrado em áreas ventiladas, aação vasodilatadora de iloprosta pode aumentar o fluxo sanguíneo para regiões ventiladas,aumentando a correspondência de ventilação/perfusão. Por outro lado, vasodilatadores entregues sistemicamente dilatam indiscriminadamente o leito arterial pulmonar com fluxo sanguíneo maior para áreas malventiladas. O prejuízo resultante nas trocas gasosas pode fazer com que sangue, sem ser totalmente oxigenado, seja bombeado do coração.1,5

Iloprosta via inalatória apresenta seletividade pulmonar e intrapulmonar em comparação com a terapia sistêmica.6

Iloprosta via inalatória apresenta seletividade pulmonar e intrapulmonar em comparação com a terapia sistêmica

Os efeitos hemodinâmicos agudos da iloprosta via inalatória demonstram seu efeito pulmonar seletivo. Uma rápida melhora em hemodinâmica pode ser alcançada como resposta à inalação.7,8 Reduções substanciais na resistência vascular pulmonar e na pressão arterial pulmonar, juntamente com o aumento no débito cardíaco, foram observados durante ainalação da dose.7,8

Iloprosta via inalatória melhora rapidamente a hemodinâmica pulmonar
Iloprosta via inalatória melhora rapidamente a hemodinâmica pulmonar
Adaptado de Gessler 20028
DC: débito cardíaco; PAM: pressão arterial média sistêmica; PAPm: pressão de artéria pulmonar média
A editora deste material, protegido por direitos autorais, é: editores Mary Ann Liebert, Inc.

O efeito vasodilatador local da iloprosta via inalatória perdura mesmo após o desaparecimento da medicação da circulação sistêmica, o que sustenta a hipótese de que a entrega pulmonar do medicamento resulta em potência pulmonar preferencial em comparação com a vasodilatação sistêmica.9

A distribuição preferencial do vasodilatador em aerossol para as áreas pulmonares mais ventiladas, melhorando a relação ventilação/perfusão, é sugerida pelo aumento de oxigênio na saturação arterial observado com a inalação de iloprosta.3

Intolerância a exercício e dispneia durante esforço são achados importantes em todas as formas de hipertensão pulmonar.10 Iloprosta via inalatória exerce efeitos mais favoráveis na hemodinâmica pulmonar durante o exercício do que em repouso. Um estudo utilizando cateterismo cardíaco direito para avaliar a resposta hemodinâmica em pacientes com HP (n = 16) constatou que a inalação com iloprosta produziu efeitos hemodinâmicos pulmonares maiores durante o exercício do que em repouso.10

Um desafio com a administração intravenosa de prostaciclinas é a taquifilaxia, situação em que os pacientes param de responder a uma dose específica de prostaciclina e é necessária titulação.11 Acredita-se que a infusão intravenosa de prostaciclina resulte em estimulação constante do receptor IP, o que pode fazer com que fique indisponível para ligação.12,13 Isso leva à dessensibilização da resposta vasodilatadora aguda à prostaciclina - isto é, taquifilaxia.13 Acreditase que a fosforilação do receptor IP pela proteína quinase C esteja envolvida nesse processo.12,13

Pacientes em tratamento com iloprosta via inalatória não apresentam taquifilaxia, provavelmente porque o medicamento é administrado de forma ”start-stop” (começa-para) no lugar de continuamente.14
A resposta hemodinâmica imediata tem se mantido por pelo menos 1 ano.15

A resposta hemodinâmica ao iloprosta via inalatória pode ser mantida por muitos meses
A resposta hemodinâmica ao iloprosta via inalatória pode ser mantida por muitos meses

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